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A Sedentarização da
Codorniz em Portugal
[Sedentariness
of the European Quail (Coturnix c. coturnix) in Portugal]
Fontoura,
A.P. & Gonçalves, D., (1995). XXII Congress "The Game and the
Man.", IUGB, Sofia, Bulgaria. Instituto de Zoologia – Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto.
A
codorniz (Coturnix c. coturnix) foi sempre considerada como um
migrador de longa distância, com locais de invernada em África (no Sahel)
e utilizando a Europa como local de reprodução.
Recentemente
têm sido detectadas algumas mudanças na dinâmica das populações de
codorniz na parte ocidental da sua área de reprodução. Estas mudanças
podem ter sido influenciadas por importantes alterações climáticas e na
ocupação dos solos, nas regiões onde a codorniz passa durante as
diferentes fases do seu ciclo biológico.
Este
estudo teve como base a análise de animais abatidos durante as épocas
venatórias de 1991 a 1994, em zonas aluviais intensamente agricultadas do
Norte, Centro e Sul de Portugal.
O
estatuto migratório de cada ave foi determinado através da análise da
espessura das reservas de gordura. As aves que apresentavam menos de 5mm
de gordura, foram consideradas como estando em plena fase de invernada.
Durante a migração esta banda de gordura pode atingir os 15-20mm de
espessura.
A
análise dos resultados deste estudo, sugere que em Portugal a migração
para Sul ocorre maioritariamente em Outubro. No entanto, ocorrem alguns
movimentos migratórios menos importantes até ao final de Dezembro. A
presença de aves invernantes e sedentárias em Portugal, já tinha sido
anteriormente detectada, embora apenas tenha sido pontualmente
quantificada.
O
território português pode ser usado simultaneamente como local de
paragem, como local de invernada e mesmo como local de partida para outros
quartéis de invernada. Apesar da complexidade das situações que estes
comportamentos possam originar, existem já alguns exemplos de sedentarização
de codornizes no nosso território. Os autores encontraram em Dezembro no
Centro de Portugal, valores da razão entre machos e fêmeas que indicam
uma tendência para a existência de aves sedentárias nessa região (2.33
machos para 1 fêmea; para um total de 20 indivíduos observados).
O
aparecimento de aves durante o Outono em determinadas regiões do nosso
território é um outro indicador da sedentarização das aves. Outros
indicadores, já anteriormente confirmados e que estão ligados ao fenótipo
de migradores parciais (aves que executam pequenas deslocações), são a
precocidade sexual, medida pelo desenvolvimento das gónadas, a formação
de casais e o canto dos machos.
No
entanto, cada uma destas evidências apreciadas isoladamente não é
suficiente para concluir da sedentarização das aves, mas quando
complementadas com os resultados obtidos pela análise da banda de gordura
de aves capturadas depois do período das migrações, pode facilmente
concluir-se pela sedentarização das aves. De facto, em aves capturadas
em Março, os autores verificaram que a espessura da banda de gordura não
era compatível com um estatuto de migrador.
No
nosso país, verificou-se a existência de aves com características de
pequeno migrador e que a codorniz apresenta um padrão de comportamento
anual semelhante ao observado no Norte de África, levando a que se deva
pensar em novas políticas de conservação e gestão desta espécie.
A CONSERVAÇÃO PELO USO SENSATO
© ERENA 2002
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