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Qual é o melhor período do ano para realizar
repovoamentos de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus)?
Moreno*,
S., Villafuerte*, R., Queirós**, F. & Jordán*, G. (1996). Revista
Florestal. vol IX(1), pp: 267-275. *Estación Biológica de Doñana,
Ap.1056.41080 Sevilla; **Escola Superior Agrária de Castelo Branco.
O
coelho-bravo além de ser uma das espécies de maior interesse no panorama
cinegético português também desempenha um importante papel a nível de
conservação, nomeadamente por servir de presa a um grande número de
predadores cuja conservação é considerada importante.
O
aparecimento de doenças como a mixomatose e a doença hemorrágica viral,
as alterações dos habitats, a caça excessiva e a predação conduziram
a um decréscimo das populações de coelho-bravo. Os repovoamentos
aparecem assim como uma das diversas acções de gestão possíveis para
recuperar as populações desta espécie.
Neste
trabalho de investigação, os autores procuraram determinar qual o período
do ano (Primavera - Maio; Verão - Junho; Outono - Outubro; Inverno -
Fevereiro) mais propício para a realização de repovoamentos, através
da análise dos resultados de sobrevivência e dos efeitos na densidade
populacional de animais largados.
No
decurso deste estudo utilizaram a rádio-telemetria, tendo sido colocados
emissores nos coelhos largados assim como em coelhos já existentes no
local (coelhos autóctones). Paralelamente, para poderem testar o efeito
dos repovoamentos, capturaram e marcaram coelhos numa área onde não
foram feitos repovoamentos.
Os
coelhos largados nas acções de repovoamento foram submetidos a um período
de quarentena, e os animais seleccionados foram vacinados contra a
mixomatose e a doença hemorrágica viral e foram ainda desparasitados
(interna e externamente).
Não
foram detectadas diferenças significativas entre as taxas de sobrevivência
de coelhos largados e coelhos autóctones, excepto no repovoamento de
Inverno, em que a mortalidade dos coelhos autóctones foi superior devido
a um surto de doença hemorrágica viral (animais não imunizados).
Os
maiores aumentos de densidade, verificaram-se nos repovoamentos de Outono
e Inverno.
O
repovoamento efectuado na Primavera, período que coincide com a máxima
actividade reprodutora, parece ter implicado uma diminuição muito
acentuada da actividade reprodutora. Os animais largados podem ter
afectado a estrutura social da população, induzindo a competição e
desta forma diminuindo a intensidade reprodutora.
Os autores concluem
que é fundamental que os repovoamentos não sejam realizados durante o
período de reprodução de modo a não comprometer o potencial
reprodutivo da população.
A CONSERVAÇÃO PELO USO SENSATO
© ERENA 2002
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