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Lince Ibérico
(Lynx pardinus) no Algarve e Sudoeste de Alentejo
Palma,
L. (1996). Ciência e Natureza 2: 7-14. Unidade de Ciências e
Tecnologias dos Recursos Aquáticos, Universidade do Algarve, Campus de
Gambelas, 8000 Faro, Portugal.
Lince
ibérico é o carnívoro mais ameaçado da Europa. Este predador sofreu
uma forte regressão populacional desde a década de 50, com a diminuição
do número de coelhos causada pela epizootia de mixomatose e com o êxodo
rural que levou à conversão da agricultura para eucaliptais. Apesar da
diminuição da população de Lince, as serras do Algarve e o sudoeste do
Alentejo continuam a ser as principais áreas onde ocorre em Portugal.
A
realização de 200 entrevistas permitiu obter a descrição pormenorizada
de 29 avistamentos, que depois de cartografados, proporcionaram uma
estimativa de um total de 15 a 25 indivíduos desta espécie, existentes
nesta zona. Além das observações casuais, a maior parte dos
avistamentos devem-se a pastores, o que parece dever-se à atracção do
predador pelos cabritos e borregos, enquanto durante as actividades venatórias
apenas se verificaram 3 avistamentos.
Esta
pequena população de Lince tem uma distribuição muito fragmentada com
núcleos na serra de Monchique, Caldeirão, Espinhaço de Cão e Bacia do
rio Mira. O núcleo da serra de Monchique surge dividido, com ocorrências
registadas na periferia da vertente sul e na periferia da vertente norte,
sendo a produção de eucaliptos a razão para que o Lince não ocorra
actualmente no maciço central da serra. A maior descontinuidade desta
população é verificada entre a serra de Monchique e a serra do Caldeirão,
o que se deve à forte presença da agricultura.
É
no extremo ocidental que a população se encontra mais estabilizada. O
abandono da agricultura nesta área, levando ao surgimento de matos,
parece ter recriado as condições mínimas para a fixação de novos
indivíduos.
Com
esta situação de reduzida densidade populacional e de acentuada
fragmentação da população, antevê-se a extinção a curto prazo deste
Lince o que torna urgente a adopção de medidas de conservação de
habitat.
A CONSERVAÇÃO PELO USO SENSATO
© ERENA 2002
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