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Estatuto Fenológico e Tipos de Migração do Pato-real
(Anas platyrhynchos) em Portugal
Rodrigues,
D. J. C.*, Fabião, A. M. D.*, Tenreiro, P. J. Q.** & Figueiredo, M.
E. M. A.* (1998). Simpósio sobre Aves Migradoras na Península Ibérica.
SPEA e Universidade de Évora. *Departamento de Engenharia Florestal,
Instituto Superior de Agronomia, Tapada da Ajuda, 1399Lisboa Codex,
Portugal. **Instituto da Conservação da Natureza, Coordenação
de Coimbra, Mata Nacional do Choupal, 3000 Coimbra, Portugal
O Pato-real tem sido considerado
uma espécie sobretudo residente. Este estatuto (fenológico) foi em parte
confirmado com estudos realizados a partir de 1994, mas a situação
manteve-se por desvendar devido `existência de dados pouco concludentes
em alguns locais.
Com o intuito de esclarecer qual o
estatuto destes patos em Portugal e mesmo divulgar os tipos de migração
que ocorrerão, foram estimadas as populações no Vale do Baixo Mondego e
Ria de Aveiro no período de 1993 a 1998, e recorreu-se à marcação com
anilhas metálicas e marcadores nasais (para identificação com telescópio)
para estudos das migrações.
A posterior recuperação de
anilhas de aves mortas indicam que 56,8% destas aves morreram a menos de
20 km do local de anilhagem, pelo que se conclui que a espécie será
maioritariamente sedentária ou residente. A conjugação com os dados de
observações de movimentos regionais, permitem por sua vez afirmar com
segurança que os patos serão na sua maioria residentes no país e não
sedentários. No entanto, algumas das aves anilhadas foram recuperadas no
estrangeiro, e outras aves anilhadas no estrangeiro foram capturadas em
Portugal, o que também confirma a existência de comportamento migratório
em parte da população de Pato-real. O estudo da migração permitiu
concluir que os migradores virão para Portugal invernar para escapar ao
rigor do Inverno de países do Norte da Europa e evidenciou ainda um outro
tipo de migração designada por "abmigração", realizada por
machos, que percorrem milhares de quilómetros para acasalamento com fêmeas
de origens diferentes, e por jovens que dispersam.
Parece também ser possível a
existência de migração para locais de muda, pois na Lagoa de Albufeira
a população estimada atingiu o máximo na época de muda.
O presente estudo representa deste
modo uma evidência mais clara do estatuto residente que esta espécie tem
no nosso país, desvendando também a existência de indivíduos
migradores na população, seja para escapar ao Inverno de outras regiões
do globo, seja na forma de "abmigração".
A CONSERVAÇÃO PELO USO SENSATO
© ERENA 2002
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