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Bio-ecologia de uma População de Perdiz-vermelha num
Agro-ecossistema do Centro de Portugal (Santarém)
Tavares,
P., Gonçalves, D. & Fontoura, P. (1996). Actas do I Workshop Sobre
a Biologia da Caça. Faculdade de Ciências do Porto, 17 e 18 de Julho
de 1996. Departamento de Zoologia/Antropologia, Fac. de Ciências, Pr.
Gomes Teixeira, 4050 Porto.
Com
este trabalho pretendeu-se analisar a evolução da estrutura demográfica
e da organização social de uma população de perdizes numa zona agrícola
do centro de Portugal, onde esta espécie é objecto de exploração cinegética.
Tentou-se ainda paralelamente avaliar quais os habitat que na área eram
seleccionados por esta população.
Com
a realização de um método de recenseamento, contabilizaram-se em
Fevereiro de 1995 cerca de 18 casais em cada 100 ha da área. Verificou-se
que em Julho do mesmo ano, a população aumentou 74,7%. Este crescimento
tão significativo representa o número de jovens produzidos pelos casais
na Primavera, elevando o número de indivíduos para um valor superior ao
dobro do que havia sido contabilizado em Fevereiro. Também quando
comparados com valores estimados em estudos realizados em França e
Espanha, estes valores de densidade de perdizes revelam-se elevados.
O
estudo da organização social revelou por sua vez a existência de tendências
específicas para determinados períodos do ano descrevendo um ciclo
anual. Assim, verificou-se em Dezembro, que uma parte (25%) dos indivíduos
já se encontrava acasalada enquanto os restantes ainda se encontravam
associados em bandos. No período de Dezembro a Março, o número de
casais aumentou progressivamente, com correspondente diminuição dos
indivíduos em bando. Entre Março e Maio, período de postura e incubação,
foi o número de indivíduos isolados que aumentou, para no final de Julho
se associarem novamente em bandos onde já se incluíam os jovens.
Posteriormente os elementos destes bandos vão progressivamente
associar-se em casais no fim do ano.
A
actividade cinegética praticada no local (caça "de salto")
apresenta-se como um factor de influência na própria estrutura etária
desta população. Este dado está relacionado com o facto de normalmente
se caçarem mais machos adultos. A caça "de salto" selecciona
os adultos ao invés dos jovens devido ao comportamento mais solitário
dos primeiros, enquanto o facto de se caçarem mais machos pode ter
simplesmente a ver com a existência destes em número superior ao de fêmeas.
As fêmeas são mais susceptíveis à predação e sofrem mais perdas com
os trabalhos agrícolas no período de postura e incubação.
No
que diz respeito aos habitat, que são vários, desde o cereal a vegetação
espontânea com Pinheiro-bravo, o olival com vegetação herbácea espontânea,
o olival com cereal e outros como vinhas e pastos, as perdizes não se
mostram selectivas. Seja associadas em casais como em bandos, estas
distribuíram-se homogeneamente por toda a área, donde se conclui que
todos os habitat presentes oferecerão suficientes condições de abrigo e
alimento necessárias ao desenvolvimento da população.
A CONSERVAÇÃO PELO USO SENSATO
© ERENA 2002
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