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Distribuição estival da Perdiz-vermelha
em relação à disponibilidade de água numa área agrícola Mediterrânica
[Summer
distribution of Red-legged partridges Alectoris rufa in relation to water
availability on Mediterranean farmland.]
Borralho,
R.*, Rito, A.*, Rêgo, F.**, Simões, H.* & Pinto, P. V.*(1998). Ibis,
140: 620-625. *ERENA, Av. Visconde de Valmor, 11 – 3, 1000 Lisboa,
Portugal. ** Dep. de Matemática - Instituto Superior de Agronomia,
Tapada da Ajuda, 1399 Lisboa Codex, Portugal.
e-mail dos
autores: rui.borralho@erena.pt
As
aves diurnas cuja alimentação principal é constituída por sementes são
particularmente vulneráveis ao calor e a condições de secura,
principalmente nos casos em que não estejam adaptadas a voar a longas
distâncias para procurar água e alimento.
No
Mediterrâneo, a época estival é uma altura crítica para a sobrevivência
de animais e plantas, e como tal procurou-se demonstrar com este estudo o
impacto da disponibilidade de água para a Perdiz-vermelha, nesta região
durante esta época do ano.
O
estudo decorreu numa área do Alto Alentejo, zona de Verão quente e seco,
e Inverno temperado, durante o período 15 de Julho - 15 de Agosto dos
anos de 1993 e 1994.
Fez-se
a cartografia dos pontos e linhas de água, para incorporação num
Sistema de Informação Geográfica (sistema informático que processa
dados para combinação e interpretação de mapas).
Teve-se
em conta os diferentes usos do solo da área, que também afectaram a
presença das perdizes, mas em qualquer dos diferentes usos a presença de
água significou sempre um aumento da probabilidade de ocorrência de
perdizes. As zonas de pastagem, por exemplo, apesar de menos seleccionadas
pelas perdizes, devido à presença de gado, falta de vegetação verde e
cobertura para abrigo, não deixaram de apresentar um maior número de
indivíduos sempre que existiam pontos de água próximos.
Os
pontos de água, além de água para beber, proporcionam nas sua
proximidades alimentos suculentos tal como vegetação verde, insectos, e
outros invertebrados, essenciais para a sobrevivência dos perdigotos, mas
também importantes para as perdizes adultas.
O
estudo da influência da proximidade de água na distribuição das
perdizes no Verão, permitiu para esta área calcular a distância ideal a
que os pontos de água se devem situar (a 300m uns dos outros) ficando as
perdizes nesta área a uma distância inferior ou igual a 150 m, valor que
se poderá alterar em diferentes condições de clima ou da área agrícola.
É necessário realizar idênticos estudos noutras áreas.
De
um ponto de vista de gestão, há que ter em conta que, a existência de
poucos pontos de água poderá significar uma agregação dos indivíduos
nestes escassos locais, que além de proporcionar um menor aproveitamento
da área, leva a um aumento do risco de predação.
A CONSERVAÇÃO PELO USO SENSATO
© ERENA 2002
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