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Produtividade
da Rôla-brava (Streptopelia turtur) no Noroeste de Portugal
[Productivity
of the Turtle Dove (Streptopelia turtur) in the Northwest of
Portugal]
Fontoura,
A.P. & Dias, S*., (1995). XXII Congress "The Game and the
Man.", IUGB, Sofia, Bulgaria. Instituto de Zoologia – Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto, *Dep. de Zoologia e Antropologia –
Faculdade de Ciências de Lisboa.
e-mail
dos autores: s.dias@mail.telepac.pt
A
rôla-brava (Streptopelia turtur) é uma espécie migradora
transequatorial que nidifica na Europa. Tradicionalmente é uma importante
espécie de caça em Portugal. Os autores estimaram que anualmente sejam
abatidas cerca de 20.000-50.000 aves, sendo o seu preço unitário, nas
zonas sujeitas ao regime cinegético, de cerca de 4.000 escudos.
As
populações de rôla-brava têm vindo a diminuir, o que levou a que esta
espécie fosse incluída no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal
para as espécies ameaçadas, tendo sido classificada como vulnerável.
Esta
espécie chega à Europa no início da Primavera, aparecendo em Marrocos
entre Fevereiro e Março e atingindo o Centro de Portugal nos primeiros
dias de Abril. No entanto, a grande maioria das aves atinge a Península
Ibérica em Maio, podendo prolongar-se até Agosto, mas o número de indivíduos
que chega nesta altura é normalmente insignificante.
No
começo de Junho as aves começam a apresentar um comportamento mais
discreto, passando a maior parte do tempo no ninho ou nas suas redondezas
limitando-se a procurar alimento e água de madrugada e ao entardecer. As
aves que possuem alimento e água em quantidade nas proximidades do ninho,
apresentam movimentos pouco significativos.
De
Julho a Agosto, por vezes detecta-se um comportamento gregário entre
jovens nascidos na mesma região, estes grupos são no entanto
relativamente efémeros. Em Setembro apenas se observam indivíduos jovens
isolados, indicando que a maioria da população iniciou já a sua migração
para Sul.
Na
região onde decorreu o estudo, o período de nidificação durou 148
dias, valor semelhante ao observado em Espanha (127 dias).
Os
autores acompanharam oito casais, representando uma densidade de 25
casais/100 ha, dos quais quatro tiveram posturas de dois ovos, três com
apenas um e o outro casal com três ovos. O número médio de ovos
produzidos por casal é de dois e excepcionalmente três ou quatro ovos.
A
época de reprodução de 1994, no Noroeste de Portugal foi muito boa, com
25 casais/100 ha e a produtividade elevada com 1.73 juvenis a voar,
produzidos por postura.
Foi
constatado ainda que, a rôla-brava escolhe como local de nidificação,
zonas com bom coberto vegetal e pouca perturbação humana.
Os
resultados apresentados neste trabalho, sugerem que a população de rôla-brava
tem potencial para recuperar face a condições limitantes que estão mais
relacionadas com as alterações de habitat e com a pressão cinegética.
No
que diz respeito a esta última questão, os autores afirmam que, apesar
de em Portugal o declínio das populações de rôla-brava ser mais
assumido do que provado, devem, ser implementadas novas normas, com o
objectivo de evitar as consequências do excesso de caça e de limitações
impostas durante a época venatória. Assim, os autores deste trabalho
sugerem as seguintes medidas:
i) Equacionar a possibilidade
de retardar a abertura da época de caça em cerca de uma ou
duas semanas (até ao fim de Agosto), para melhorar a sobrevivência das
últimas crias;
ii) A caça às rôlas nos
locais de reprodução e alimentação deve ser proibida. Todo o tipo de
alimentadores que induzam concentrações artificiais deve ser
naturalmente evitado;
iii) Nas zonas sujeitas a
regimes de caça ordenada, o número de caçadores deve ser reduzido para
cerca de um posto por cada 50-100ha;
iv) Deve ser feito um
levantamento dos locais de concentração de rôlas com vista à criação
de algumas zonas de protecção. Além da caça, é urgente e importante
analisar outros factores limitantes que reconhecidamente afectam as populações
de rôlas (e.g. contaminação por pesticidas, perturbações de habitat).
A CONSERVAÇÃO PELO USO SENSATO
© ERENA 2002
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